O Dia em Que Descobrimos o Câncer: Um Abismo Chamado Diagnóstico

 








A Descoberta do Câncer

Foi doído.

Saber que ia gastar muito dinheiro que não tinha e que ia sofrer junto com o cachorro até o fim sem fazer eutanásia.

Confesso: Fiquei mais tranquilo por ter descoberto o câncer no Paulinho depois que a cabana ficou pronta.

Porque, se fosse antes, eu teria gastado tudo com ele. Não teria casa, não teria chão não teria porra nenhuma, ia tudo virar remédio e exames..

Eu tinha feito uma promessa pra ele: "Vou com você até o fim, até o último suspiro."
em momento algum pensamos em tratar o câncer, nos dois rins não tem jeito, nossa corrida sempre foi por mais tempo juntos eu sabia que ele ia durar pouco o caroço crescia numa velocidade louca, eu fazia comidas, sopas, orações, mas no fundo eu sabia que iamos nos separar, eu abraçava ele  e tenho certeza que ele sabia o que estava acontecendo.

Paulinho era querido por todos.

Os frentistas do posto se apaixonavam por ele. Sempre que abastecia o carro, eles vinham brincar, falar, perguntar por ele. Paulinho, espertíssimo, fazia aquela gritaria tentando responder. Era um cachorro diferente.

Todos os cães são especiais, mas o nosso... o nosso sempre é mais.

Com a doença, contei com a ajuda de amigos. Mas sempre tentei aguentar sozinho.

Vendi ferramentas. Vendi peças da minha Kombi. Vendi a kombi , comprei um bugre, vendi o bugre, Vendi o que podia. vender, vendi o ar condicionado da cabana, pedi dinheiro, pedi ajuda. Fiquei quase louco.

No meio disso tudo, meu computador queimou — a maresia é implacável por aqui. Perdi uma fonte de renda que, ainda que fraca, pingava.

E, claro, vieram os palpiteiros. Gente que nunca tratou um cachorro doente dizendo pra parar de gastar dinheiro.

Mas eu tinha um objetivo: Levar o Paulinho até o fim, sem arrependimentos sem importar o quanto isso ia custar, em dinheiro, em tempo ou até mesmo em sofrimento. E se tem uma coisa da qual me orgulho é de nunca ter reclamado com ele e nem perto dele. sempre era brincando com ele, e ouve vezes que o dinheiro não dava para comprar a minha comida a dele e os remédios, e eu focava nele e comprava só a comida dele e os remédios, e comia a mesma comida que ele estava comendo... foram dias dificeis, eu filmava ele pois sabia que estavamos nos despedindo a cada dia.

Aprendi demais nesse processo.

O amor verdadeiro não tem forma, uma forma pode ser diferente da outra e ainda assim se amarem e se respeitarem.


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