O ano era 2013. Uma pessoa me pediu para deixar um cachorro na minha casa por uma semana. Uma semana. Aquela promessa vazia que a gente acredita, mesmo sabendo que não deveria.
O nome do cachorro era Paulinho. Magrinho. Bonitinho até — mas era um cachorro enjoado. Rosnava para mim toda vez que eu entrava em algum cômodo onde ele estivesse. Rosnava e saía, como se eu fosse um invasor no próprio lar.
Aos poucos, a resistência foi se quebrando. Ele foi acostumando comigo. E eu, com ele.
A pessoa nunca voltou para buscar. Paulinho ficou. Virou meu amigo. Um amigo diferente, de quatro patas e olhar desconfiado, mas um Grande amigo.
— E foi assim que ele chegou. Sem avisar, sem pedir espaço, mas ocupando tudo o que importa.

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