Desde que você se foi.

Desde que você se foi, tenho fingido que está tudo bem. Sorrio no automático, falo do tempo, finjo planos. A barraca na praia saiu do papel — você ia gostar de ver. Mas caminhei lá só duas vezes… e voltei logo. Sem você, o mar perdeu som, a areia pesa, e cada passo ecoa uma ausência que me rasga por dentro. Sua caminha continua ali. Seu cobertor, seu shampoo, seu cheirinho — tudo guardado como se, a qualquer momento, você fosse atravessar a porta abanando o rabo, como quem diz: “Demorei, mas voltei.” Mas você não volta. E essa saudade tem dentes. Morde devagar, todos os dias. Sua ausência tirou de mim a vontade de fazer qualquer coisa. E sigo vivendo como quem apenas respira. Você foi mais que um cachorro. Foi meu pedaço de paz, meu silêncio confortável, meu amor que não cobrava nada. Se existe céu pros de quatro patas, sei que você está correndo por lá — sem coleira, sem dor, e talvez, só talvez, esperando por mim. Com amor eterno, (Sua pessoa preferida)

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