Querido Paulinho...






Hoje me peguei falando com você em pensamento.

A casa está vazia, mas sua presença ainda late no meu peito.
Não passo um único dia sem lembrar de você.
Quando olho o mar e vejo o lugar onde a gente sentava pra ver o pôr do sol... tá tudo sem graça.
Você não me reconheceria — tenho vivido calado, no meu canto.

Parece que tudo está mudando rápido demais.
As horas passam, os dias vão como fumaça.

Às vezes penso em arrumar outro cachorro, mas me sinto como se estivesse traindo a nossa amizade.
Brinco com outros cachorros, mas eles não entendem.
As nossas brincadeiras eram só nossas — e só agora tô entendendo isso.

Não sei se algum outro cachorro seria ao menos um pouco parecido com você —
na inteligência, na maneira como a gente se olhava e se entendia só com o olhar.

Agora que você não está mais aqui,
fico lembrando de gente que torcia pra você morrer, só pra ver como eu ficaria.
pra essas pessoas eu não tenho nada a dizer, nada mesmo.

Minha vida perdeu a graça.
Não penso em morrer, mas também não vejo graça na vida.

A mesma luta, os mesmos desafios, a mesma corrida de ratos...
E mesmo estando à margem, acabo contaminado.

A única coisa que eu realmente queria era ter você aqui pertinho,
pra dar um rolezinho na praia,
pra ter de novo as nossas conversas de cachorro.

Mas você não está mais aqui.

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